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A finalidade do homem na Terra

27 de January de 2014 0 comentário(s)
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Artigos

O Cardeal Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, escreveu um artigo sobre a finalidade do homem na Terra, as realidades últimas do homem e a resposta do Cristianismo sobre o sentido da vida humana. Ele continua muito cheio de atualidade:

I – Onde está nossa felicidade?

No 33º Domingo do Tempo Comum, a Liturgia nos apresentou textos iluminadores da Palavra de Deus, que são respostas a muitas de nossas interrogações. Vale a pena respeitar a Deus, ser honestos e praticar o bem? Ainda mais: vale a pena praticar o bem, mesmo com sofrimento? Esta sempre foi uma angustiante questão para o homem, sobretudo ao ver que os “ímpios” não respeitam o homem, nem a Deus, e vão bem na vida e até debocham de quem é honesto e reto em seu viver…

Teremos de prestar contas a Deus sobre a nossa vida

A resposta vem do profeta Malaquias, a sorte final de ímpios e justos não será a mesma; a justiça de Deus pode tardar, mas não falhará e colocará cada coisa no seu devido lugar. Os ímpios, como palha, serão queimados e não restará deles nem raiz; mas os justos podem ter a certeza: sobre eles se levantará o sol da justiça e lhes trará salvação (cf. Ml 3, 19s). Nossa Profissão de Fé Católica afirma: “E de novo (Jesus) há de vir para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim”. Na compreensão cristã da vida, nós não somos a última instância a decidir sobre o bem e o mal; nem tudo se resolve neste mundo, nem do jeito que cada um decide. Teremos que prestar contas a Deus sobre nossa vida e nosso agir, sobre o uso que tivermos feito de nossa liberdade.

Aliás, na visão da nossa fé, as coisas deste mundo não são ainda a realidade definitiva e final. Nem precisa ter muita fé para afirmar isso: nós passamos e as realidades deste mundo também passam; somos parte de uma realidade boa, mas ainda precária. Por isso, nossa fé nos leva a procurar os “bens eternos” e a “cidade definitiva”, onde Deus será tudo em todos.

Não há felicidade plena fora de Deus

Quando Jesus passeia no Templo e os Apóstolos lhe chamam a atenção para a grandiosidade e a beleza do Templo de Salomão, Ele responde: “Disso tudo não ficará pedra sobre pedra, mas tudo será destruído” (cf. Lc 21, 9). E convida os Apóstolos a perseverarem, firmes na fé e na prática do bem, mesmo em meio a perseguições e injúrias (cf. Lc 21, 7-19). Se tivéssemos fé apenas para resolver questões deste mundo, seríamos os mais dignos de compaixão de todos os homens, no dizer de São Paulo. A fé firme em Deus e a esperança que brota da fé dão-nos coragem e força para a perseverança na prática do bem. A falta de fé dá origem ao imediatismo e à pretensão de ter tudo, já neste mundo.

Na Oração do Dia do 33º Domingo do Tempo Comum, nós pedimos a Deus: “Nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois, só teremos felicidade completa, servindo a Vós, o Criador de todas as coisas”. Esta oração, de fato, corresponde ao Primeiro Mandamento da Lei de Deus: “Amar e servir a Deus de todo coração, com todas as forças”. Fora de Deus, não há felicidade plena.

Nossa fé, portanto, tem uma resposta para a questão angustiante do sentido da vida neste mundo e para a questão não menos angustiante do valor da prática do bem: há vida plena e felicidade completa para o homem, contanto que não se afaste de Deus e dos seus caminhos. Excerto do artigo publicado em “O São Paulo”, n.2.979 (19-25 nov. 2013)

II – Também vós, ficai preparados!

Trazemos em nós um anseio irreprimível de superação das nossas limitações, de plenitude e de paz. Isso move continuamente a humanidade a trabalhar, a buscar soluções, a mover-se para uma perfeição, que conseguimos alcançar apenas em parte. Leva também à certeza de que o “pior” não é o “melhor” e, portanto, não nos conformamos com as coisas que vão mal, mas continuamos a lutar.

A Fé cristã, baseada na Palavra de Deus, apresentada com abundância no Advento, nos diz que isso não é sonho vazio, nem utopia alienante. Deus não nos fez para a frustração, mas para a plenitude. Nossa vida não se esgota na precariedade insuperável do “reino terrestre”, mas está voltada para o “reino celeste”, ao qual Deus nos atrai e chama a participar, por sua graça e benevolência. Vivemos de “esperança segura”.

A responsabilidade pessoal e social do homem

Enquanto nos debatemos “entre angústias e sofrimentos, alegrias e esperanças”, não estamos sozinhos, mas podemos contar com a ajuda de Deus, que veio ao nosso encontro e nos estendeu a mão por meio do seu Filho, o Cristo, Ungido de Deus. Por isso, nossa vida não precisa estar mergulhada na desorientação e tristeza. Desde agora, sabemos onde está a luz, o caminho, a porta, o pão, a água, a companhia segura durante o nosso peregrinar neste mundo. Depende de nós, aceitar a companhia de Deus e sua paterna providência, ou rejeitá-la.

Este mundo não está entregue a forças cegas, que agem automaticamente sobre ele, com maldade inclemente, ou com bondade impessoal. A guerra não é desencadeada por forças ocultas e irracionais; a violência, a corrupção, a injustiça e a miséria não são fatalidades incontroláveis… O mundo está entregue em nossas mãos, para que o conduzamos no bem. Depende de nossas escolhas pessoais e comunitárias. O homem é responsável pelos seus atos, pessoal e socialmente. Toda causa gera consequências.

A grande tentação do homem é a de ser o “deus” de si mesmo

Por isso, durante a sua vida, o ser humano deve fazer escolhas conscientes e acertadas. Deus lhe mostra o caminho, dá o discernimento e concede sua ajuda para escolher o bem. Na linguagem da fé, isso significa viver “atentos e vigilantes”, como nos é dito de várias maneiras na Liturgia do Advento. São Paulo exorta a “despir-se das obras das trevas” e a “revestir-se de Cristo Jesus” (cf. Rm 13, 11-14), ou seja, a viver segundo os ensinamentos do Evangelho.

A grande tentação do homem, porém, é a de ser o “deus” de si mesmo, acima do bem e do mal, a última instância para tudo. Não é assim que nós nos compreendemos. Somos criaturas e não somos senhores absolutos do nosso ser e do julgamento sobre nossas decisões: a vida e nossas capacidades, incluindo a liberdade para as escolhas, são dons, que nos são confiados; de seu uso deveremos dar contas a Deus um dia. Por isso, cabe-nos “vigiar” sobre nós mesmos e sobre nossas escolhas.

Mas isso não nos deve parecer uma ameaça aterradora: muito mais, isso deve ser visto como a pedagogia de Deus, que nos conduz pelas estradas da vida, para alcançarmos a meta suprema de nossa existência – o grande encontro com Ele -, e para sermos considerados dignos de participar do “banquete da vida eterna”.

(Excerto do artigo publicado em “O São Paulo”, n.2.981 (3-9 dez. 2013) – in Revista Arautos do Evangelho, Janeiro, 2014, n. 145, p. 38-39.)

Por Gaudium Press

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